Perfil de barco de pesca em preto

Mar de Arte

Meu trabalho em fotografia nasce do gesto de catar coisas encontradas pelo caminho. Catar cavacos, fragmentos que o cotidiano descarta. É um olhar atento ao que foi deixado de lado, esquecido ou que perdeu sua função original, mas ainda carrega uma potência simbólica. Interessa-me aquilo que permanece depois do uso, aquilo que sobrevive à sua própria função e, de alguma maneira, continua Tendo sentido simbólico.Coleciono fragmentos não necessariamente para preservá-los, mas para observá-los. Há neles marcas do tempo, acidentes, desgastes e acontecimentos que não consigo ignorar. São pequenas evidências do tempo que corre, de que alguma coisa aconteceu. O que está quebrado deixa de ser apenas objeto e passa a ser vestígio.O vidro, quando se parte, carrega uma ambiguidade potente. Pode ferir, mas também refletir. Pode significar fragilidade, mas guarda memória, transparência, brilho e passagem de luz. Quando quebrado, deixa de cumprir sua função original, mas adquire outras possibilidades. Seus pedaços passam a estabelecer novas relações entre si e com o espaço ao redor.Ao fotografar esses fragmentos, não busco consertá-los materialmente. Não há aqui uma tentativa de devolver ao objeto aquilo que ele foi. É a fotografia que opera uma espécie de restauração. Pela imagem, os pedaços se aproximam, encontram-se novamente e formam uma outra unidade. A fotografia não apaga a quebra; ao contrário, preserva sua existência e, ao mesmo tempo, cria uma nova possibilidade para aquilo que se fragmentou.Venho fotografando coisas partidas. Não para falar apenas da perda, mas do que ainda insiste em permanecer. Talvez porque também carreguemos nossas próprias marcas, fissuras e interrupções. Quando algo se rompe na vida, tentamos consertar ou aprendemos a olhar de outra forma?Esses trabalhos partem dessa pergunta. Não pretendem oferecer respostas, mas abrir um espaço para olhar, pensar, lembrar. São imagens sobre o tempo, sobre a matéria e sobre a transformação. Sobre aquilo que se desfaz e, paradoxalmente, pode encontrar outra forma de permanência.i

Garafas

Título: garrafas

Técnica: fotografia

Print: 40 x 30

Ano: 2026

garrafas cobertas de craca

Pedra, libelula, vidro

Título: Pedra, libélula sobre vidro

Técnica: Fotografia

Print: 40×30

Ano: 2026

tres pedras empilhadas sobre uma placa de vidro e um libélula

Vidro com tacape

Título: Tacape no vidro

Técnica: fotografia

Print 40 x 30

Ano: 2026

tacape indigena sobre vidro

Libélula sobre vidro

Título: Libelula sobre vidro

Técnica: fotografia

Print: 40 x 30

Ano: 2026

Painel de vidro

Título: Painel de vidro

Técnica: fotografia

Print: 40 x 30

Ano: 2026

Libélula sobre prato de vidro

Título: Libelula sobre prato de vidro

Técnica: fotografia

print: 40 x 30

Ano: 2026

Painel KDW

Título: Painel KDW

Técnica: fotografia

Print: 30 x 30

Ano: 2026

painel de vidrem homenagem aos índios KDW

Libélula, pedra sobre vidro

Título: Libelula, pedra, sobre vidro

Técnica: fotografia

Print: 40 x 30

Ano: 2026

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